A partir do texto de Edgar
Morin, em que diz que os indivíduos conhecem, pensam e agem segundo paradigmas
inscritos culturalmente neles e sabe-se que historicamente estes paradigmas são
cartesianos, que separa o sujeito e objeto, que promove e seleciona conceitos,
excluindo ou subordinando uns em detrimento de outros, que diz de suas verdades
tornando-as necessárias. Portanto, é preciso mais que urgente pensar novos
paradigmas. Estes que não excluam, mas
agreguem, elucidem e revelem ao invés de cegar e ocultar. Morin também nos fala na educação do futuro que
deve ser pensada como passível de erros e de ilusões, pois ao não separarmos o
sujeito do objeto, integrarmos ao conhecimento as percepções e interpretações do
mundo externo e interno do sujeito. Mas estes
erros e ilusões deverão ser identificados, pois a racionalidade é corretiva.
A racionalidade que Morin
nos fala é uma atividade da mente aberta que distingue a vigília do sono, o
imaginário do real, o subjetivo do objeto e que recorre de alguns controles
para identificar os erros e as ilusões. Esta racionalidade aberta é importante,
pois não se opõe ao conhecimento empírico, soma-se e integra-se a ele por meio
de debates argumentativos, pois reconhece nele o afeto, o amor, o
arrependimento com todos os seus mistérios. Uma racionalidade teórica e
vigilante quanto à crítica e a autocrítica.
Todo este sistema complexo das relações objeto/sujeito para compreender
o homem contextualizado, abrangente e complexo. Relaciono com o texto de Paulo Freire, A sombra
desta mangueira, em que diz: “a consciência do mundo que implica a consciência
de mim no mundo, com ele e com os outros, que implica também a nossa capacidade
de perceber o mundo, de compreendê-lo...”.
A física e filósofa Maria
Eunice Gonzáles, professora da UNESP de Marília, conceitua este sistema
complexo como um conjunto de elementos que
ativamente se relacionam entre sí, se mantém constantes ao longo do tempo e formam
uma estrutura com funcionalidade. Fazendo um paralelo com a escola do futuro,
eu diria:
Escola = Sistema - conjunto de
elementos com funcionalidade.
Alunos e Professores = Pensamento
complexo – diferentes realidades interagindo integradas.
A complexidade do sistema (escola)
depende da quantidade e da variedade dos elementos (interdisplinariedade) e da
quantidade e da variedade de relações entre esses elementos (diversidade e dialogicidade).
Da interação destes
elementos de um todo do sistema surge o novo, mas como diria Paulo Freire, a
consciência da condição de inacabado, a curiosidade que é um elemento da qualidade
humana na intensão de conhecer o mundo, e condições para o exercício dialógico
faz deste sistema complexo, a escola, um
espaço adequado para a educação do futuro.
MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. UNESCO. Brasília. 2002
FREIRE,
Paulo. À Sombra desta mangueira. Ed.
Olho D’água. São Paulo, 2000.
Vídeo: Complexidade e Interdisciplinariedade em Morin 1/2 e 2/2. Filosofia da Educação. UNIVESP. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=klZ3ZuiCx4A e
https://www.youtube.com/watch?v=QyVw29eczIo
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