domingo, 10 de dezembro de 2017

Sistemas Complexos / Edgar Morin

A partir do texto de Edgar Morin, em que diz que os indivíduos conhecem, pensam e agem segundo paradigmas inscritos culturalmente neles e sabe-se que historicamente estes paradigmas são cartesianos, que separa o sujeito e objeto, que promove e seleciona conceitos, excluindo ou subordinando uns em detrimento de outros, que diz de suas verdades tornando-as necessárias. Portanto, é preciso mais que urgente pensar novos paradigmas.  Estes que não excluam, mas agreguem, elucidem e revelem ao invés de cegar e ocultar.  Morin também nos fala na educação do futuro que deve ser pensada como passível de erros e de ilusões, pois ao não separarmos o sujeito do objeto, integrarmos ao conhecimento as percepções e interpretações do mundo externo e interno do sujeito.  Mas estes erros e ilusões deverão ser identificados, pois a racionalidade é corretiva.
A racionalidade que Morin nos fala é uma atividade da mente aberta que distingue a vigília do sono, o imaginário do real, o subjetivo do objeto e que recorre de alguns controles para identificar os erros e as ilusões. Esta racionalidade aberta é importante, pois não se opõe ao conhecimento empírico, soma-se e integra-se a ele por meio de debates argumentativos, pois reconhece nele o afeto, o amor, o arrependimento com todos os seus mistérios. Uma racionalidade teórica e vigilante quanto à crítica e a autocrítica.  Todo este sistema complexo das relações objeto/sujeito para compreender o homem contextualizado, abrangente e complexo.  Relaciono com o texto de Paulo Freire, A sombra desta mangueira, em que diz: “a consciência do mundo que implica a consciência de mim no mundo, com ele e com os outros, que implica também a nossa capacidade de perceber o mundo, de compreendê-lo...”. 
A física e filósofa Maria Eunice Gonzáles, professora da UNESP de Marília, conceitua este sistema complexo como um conjunto de elementos  que ativamente se relacionam entre sí, se mantém constantes ao longo do tempo e formam uma estrutura com funcionalidade. Fazendo um paralelo com a escola do futuro, eu diria:
Escola = Sistema - conjunto de elementos com funcionalidade.
Alunos e Professores = Pensamento complexo – diferentes realidades interagindo integradas.
A complexidade do sistema (escola) depende da quantidade e da variedade dos elementos (interdisplinariedade) e da quantidade e da variedade de relações entre esses elementos (diversidade e dialogicidade).
      Da interação destes elementos de um todo do sistema surge o novo, mas como diria Paulo Freire, a consciência da condição de inacabado, a curiosidade que é um elemento da qualidade humana na intensão de conhecer o mundo, e condições para o exercício dialógico faz deste sistema complexo,  a escola,   um espaço adequado para a educação do futuro.
 

MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. UNESCO. Brasília. 2002

FREIRE, Paulo. À Sombra desta mangueira.  Ed. Olho D’água. São Paulo, 2000.

Vídeo: Complexidade e Interdisciplinariedade em Morin 1/2 e 2/2. Filosofia da Educação. UNIVESP. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=klZ3ZuiCx4A e 
https://www.youtube.com/watch?v=QyVw29eczIo





Nenhum comentário:

Postar um comentário