domingo, 24 de fevereiro de 2019

O BRINCAR

  

     “Vamos brincar que brincar alimenta sonhos, expectativas e renova emoções! ”.
    Comentário feito por Glauber Moraes sobre uma postagem minha em 23/04/16.(https://nanciba.blogspot.com/2016/04/brincar.html)

       O brincar é a expressão natural da criança, uma forma de representar e conhecer o mundo, ajuda no seu desenvolvimento físico e emocional. Brincando também pode resolver seus conflitos internos.
       Nos textos lidos na interdisciplina Corporeidade-Epistemologia e vivências do aprender, fica clara a necessidade de afeto entre as partes - quem cuida e quem é cuidado – aluno/professor, pais/filhos. Sem esta afetividade nas interações, possivelmente não aconteçam os processos de ensino aprendizagem, pois as aprendizagens acontecem em corporeidade, que implicam um corpo consciente de suas sensações, emoções e de seus potenciais. Brincando alimentamos os sonhos através das emoções das descobertas, aumentamos nossas expectativas perante novos desafios e renovamos nossas emoções pois o corpo que interage não é mais o mesmo nem as suas percepções serão iguais.
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GONÇALVES; C.J.S. Corporeidade; Uma complexa trama transdisciplinar. Revisão do Conceito. Tese de Doutorado. UNIMEP. 2005
 MATURANA, Humberto e VARELA, Francisco. A Árvore do Conhecimento. Palas Athenas, 2003.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

ESCOLAS DEMOCRÁTICAS - NOVOS TEMPOS



A inclusão escolar envolve, basicamente, uma mudança de atitude face ao Outro: que não é mais um, um indivíduo qualquer, com o qual topamos simplesmente na nossa existência e com o qual convivemos um certo tempo, maior ou menor de nossas vidas. O Outro, é alguém que é essencial para a nossa constituição como pessoa e dessa Alteridade é que subsistimos, e é de lá que emana a Justiça, a garantia da vida compartilhada. (MONTOAN, 2009, p.03)

     Dei início a essa reflexão com uma citação que utilizei em uma postagem no dia 19 de outubro de 2016 (https://nanciba.blogspot.com/2016/10/escola-inclusiva-e-democratica.html), e continuo reafirmando que só existirão escolas democráticas se nós cidadãos comuns e também professorxs de escolas públicas adotarmos mudanças atitudinais perante o outro. E como pensar estas mudanças? Debatendo as formas de fazê-la de maneira que seja realmente democrática. A escola em que trabalho pensou essas mudanças, modernizou-se em relação as estruturas, nas formas de avaliar e nas abordagens. Mas fica uma pergunta: Realmente mudamos nossas atitudes? Principalmente com aqueles chamados desajustados, houve alteridade?
     As especificidades são muitas e aumentam a cada dia. A sociedade tem nos cobrado uma demanda muito grande em relação à diversidade, mas o que vejo brotar dentro das escolas, neste último ano, é um crescente discurso inflamado de volta aos velhos costumes disciplinares e até militarizado, para “combater” à essa demanda diversa de comportamentos e modos de ser. Ou seja, existe uma grande parte da comunidade escolar que endureceu o seu modo de pensar, certamente uma leitura  de mundo errônea ideologicamente. Quando em 2016, afirmei que era preciso priorizar e aprimorar a formação docente, vejo o contrário se afirmando dentro da escola com desmandos e intolerâncias, juntamente com uma desqualificação do corpo docente e demais pessoas que lidam com estes alunos decorrentes das novas formas de administração do poder público, que terceiriza o seu maior patrimônio que é o de educar e o do educador.
     Se tínhamos um caminho tortuoso a percorrer em 2016, e sim, estávamos galgando lentamente ganhos em prol de uma educação mais democrática, através do diálogo com a comunidade, do acolhimento, do compromisso, da apropriação de nossas vidas nos direitos de crescer, ser e estar, este se tornou impetuoso e antagonista. Perdemos direitos e nos tiram a autonomia, subjulgam as diferenças e nos dizem o que ensinar e aprender.
    Nos resta a alteridade. Nos resta obedecer a nossa vocação e motivação. Nos resta a reflexão e a criatividade.









  

LEITURA, ESCRITA E DESENHO (parte 2)


LEITURA, ESCRITA E DESENHO
 (http://nanciba.blogspot.com/2015/11/leitura-escrita-desenho.html)

     Revisando minhas postagens do 1º e 2º eixos realizadas entre os meses de setembro e novembro de 2015, encontrei esta, que com algum fundamento critico as ações e a rotina vivenciada em salas da educação infantil, além de uma infinidade de estímulos e excesso de informações (des)intencionadas. Continuo tendo a mesma visão das salas de aula e da rotina escolar engessada, mas revejo com menos de crítica as ações dos professores. Durante os anos de 2016 e 2018 eu continuei meu trabalho em Diversidade, projeto iniciado em 2015 e que transpassava todas as disciplinas e incluía todas as turmas. Desta forma eu frequentava as 10 turmas de educação infantil da minha escola, do B1 ao Pré 2. Percebi que houveram algumas mudanças bastante criativas principalmente nestes dois últimos anos em que o município envolveu todos os professores na formulação de uma nova base municipal para educação infantil e fundamental. Houveram diversas trocas entre professores dos jardins das escolas fundamentais e dos prés das escolas infantis, professores de projetos e professores de todos os níveis das 5 escolas de educação infantil do município. Na minha escola, pudemos ver que as intencionalidades das ações tomaram rumos diferentes, onde as participações das crianças passaram a ser mais ativas e espontâneas dando espaço para o fortalecimento de suas autonomias e das atitudes reflexivas, resultando em rotinas um pouco mais flexíveis e prazerosas para ambos, crianças e professores.
     Esta análise me remete aos textos estudados nas interdisciplinas de Criatividade e Corporeidade. Aprendemos que as emoções fazem parte da identidade dos alunos e afetam o desenvolvimento das suas personalidades, da sua saúde psicológica e da sua saúde física. Proporcionar aos alunos atividades em que as suas emoções sejam positivas; opera como um excitador na expectativa do sucesso, no orgulho das suas realizações e nas surpresas das descobertas. As descobertas são fortes motivadores. As emoções também controlam a atenção dos alunos, influenciam a sua motivação para aprender, modificam as escolhas de estratégias de aprendizagem e afetam a autorregulação das suas aprendizagens. Portanto, possibilitando às nossas crianças fazerem suas próprias descobertas, abrimos o caminho para essas aprendizagens, com autonomia, espontaneidade e prazer. Não digo com isso descartar a participação do professor e deixar o aluno “solto”, ao contrário, como um professor mediador, se faz necessário a interação constante, com intencionalidade e afetividade que vai dimensionar e qualificar essas relações.
     Por isso repito a postagem de 2015 citada acima, sobre o que penso e entendo do meu papel como professora na Educação Infantil: “dedicar mais tempo às nossas crianças é fundamental no processo de aprendizagem, pois somente os materiais, livros ou brinquedos não educam. Assim como as crianças pedem mais a presença dos pais nas suas vidas, também precisamos estar mais presentes em sala de aula, no pátio, nas brincadeiras, nas refeições”.

Aprender com o outro, numa rica interação, que faz surgir diferentes aprendizagens tanto para um como para o outro, sem deixar de lado onde se fazem essas interações, estas aprendizagens.  (MATURANA E VARELA)

MATURANA, Humberto e VARELA, Francisco. A Árvore do Conhecimento, subcapítulo: Brotos de Inspiração. Palas Athenas, 2003.