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segunda-feira, 2 de julho de 2018

A EJA - Considerações sobre o trabalho em EJA


       Contrária ao início do surgimento dos programas de alfabetização de adultos, para suprir necessidades sociais, econômicas e políticas de uma dada época, a EJA surge como uma categoria organizacional constante da estrutura da educação nacional, com finalidades específicas:
REPARADORA – EQUALIZADORA – QUALIFICADORA
           Como característica principal para o trabalho em EJA, que a proposta pedagógica seja flexível, que proponha um modelo próprio a fim de atender as necessidades destes jovens e adultos, considerando as suas diferenças e os seus conhecimentos informais. Que possibilite a atualização de conhecimentos a todos, assim como novas oportunidades no meio social.
           Para a prática pedagógica, Hara nos fala da importância de rever as concepções sobre aprendizagem de Paulo Freire, para um melhor entendimento sobre a leitura da palavra ser indissociável da leitura do mundo, como ponto de partida à compreensão dos processos pedagógicos do jovem e do adulto educando. Partindo dos pressupostos de uma pedagogia libertadora, o professor deve ter a visão que a alfabetização é algo necessário para a ação cultura e para a liberdade. Levar para sala de aula um currículo onde seja possível desenvolver o interesse dos alunos, permitindo que estes tenham voz e sejam legitimadas nas suas visões e descobertas. Uma pedagogia crítica que se preocupa com os problemas e necessidades dos alunos que deve levar em conta a articulação entre moralidade, linguagem da vida pública, comunidade emancipatória e comprometimento individual e social. Criar de fato, situações pedagógicas, que supram as necessidades destes sujeitos, que valorize as suas vivências significativas e dos seus cotidianos, que por fim possam romper com o silêncio destes excluídos.



Referências:
FRIEDRICH, Márcia et al . Trajetória da escolarização de jovens e adultos no Brasil: de plataformas de governo a propostas pedagógicas esvaziadas. Ensaio: aval.pol.públ.Educ.,  Rio de Janeiro ,  v. 18, n. 67, p. 389-410,  Junho  2010 .
HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992.
PARECER CEB no 11/2000 - Parecer Jamil Cury - Diretrizes Curriculares Nacionais da EJA

segunda-feira, 11 de junho de 2018

ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS


            O contexto de vida dos jovens e adultos não são favoráveis a motivação e permanência nos bancos escolares da EJA, segundo Hara, dois fatores propiciam a baixa tomada de consciência e a alta evasão destes educandos, o primeiro de ordem social, pois é a escolarização é considerado de menor importância  para esta camada da população que luta pela sobrevivência. O segundo de ordem interna do próprio projeto de alfabetização que o sistema oferece. Educadores com pouco conhecimento e quase nenhum acesso a trabalhos neste âmbito, tanto no campo da experiência quanto das metodologias. "A alfabetização competente de adultos que une o compromisso político de educadores populares com a desenvoltura técnica necessária ao seu bom desempenho é ainda realidade poucas vezes encontrada." (HARA,1992.p3). Estamos longe do ideal em que o "comprometimento político e a desenvoltura técnica", muitas vezes se junta às péssimas condições de trabalho. 
               Mas felizmente, contrário ao que Hara diz, em uma conversa com a coordenadora  e as professoras regentes das turmas de alfabetização e primeiros anos da EJA de uma escola municipal, pude perceber motivação para a docência, apesar dos desmandos de uma gestão atual, que não estabelece diálogo com a classe trabalhadora, em especial, os educadores e educadoras. O compromisso político aliado ao comprometimento com a alfabetização destes alunos e alunas é visível, tanto nos seus discursos quanto na sala de aula, onde pude constatar a alegria e o envolvimento da turma. A emoção de presenciar a regência em uma sala da classe de alfabetização na EJA e ver estes alunos e alunas  criando hipóteses, estabelecendo relações com suas vidas cotidianas e tendo no olhar a esperança de que podem ter dias melhores quando souberem dominar os códigos da escrita e da leitura, ainda nos faz acreditar que a educação é o único caminho para um mundo melhor, menos perverso, plural e maiores chances de equidade social.
           



Referência
HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992.