O contexto de vida dos jovens e
adultos não são favoráveis a motivação e permanência nos bancos escolares da EJA, segundo Hara, dois fatores propiciam a baixa tomada de consciência e a alta
evasão destes educandos, o primeiro de ordem social, pois é a escolarização é considerado de
menor importância para esta camada da população que luta pela
sobrevivência. O segundo de ordem interna do próprio projeto de alfabetização
que o sistema oferece. Educadores com pouco conhecimento e quase nenhum acesso a
trabalhos neste âmbito, tanto no campo da experiência quanto das metodologias.
"A alfabetização competente de adultos que une o compromisso político de
educadores populares com a desenvoltura técnica necessária ao seu bom desempenho
é ainda realidade poucas vezes encontrada." (HARA,1992.p3). Estamos longe do
ideal em que o "comprometimento político e a desenvoltura técnica",
muitas vezes se junta às péssimas condições de trabalho.
Mas felizmente, contrário ao que Hara diz, em uma conversa com a coordenadora e as professoras regentes das turmas de alfabetização e primeiros anos da EJA de uma escola municipal, pude perceber motivação para a docência, apesar dos desmandos de uma gestão atual, que não estabelece diálogo com a classe trabalhadora, em especial, os educadores e educadoras. O compromisso político aliado ao comprometimento com a alfabetização destes alunos e alunas é visível, tanto nos seus discursos quanto na sala de aula, onde pude constatar a alegria e o envolvimento da turma. A emoção de presenciar a regência em uma sala da classe de alfabetização na EJA e ver estes alunos e alunas criando hipóteses, estabelecendo relações com suas vidas cotidianas e tendo no olhar a esperança de que podem ter dias melhores quando souberem dominar os códigos da escrita e da leitura, ainda nos faz acreditar que a educação é o único caminho para um mundo melhor, menos perverso, plural e maiores chances de equidade social.
Referência
HARA,
Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI,
1992.
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