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terça-feira, 18 de abril de 2017

Planejamento



      Se pensarmos o planejamento de sala de aula em relação ao método globalizado de Kilpatrick, que tem fundamentação na Escola de Progressista de Dewey que “pensava que as ideias só têm valor se servirem de instrumento para a resolução de problemas reais” posso dizer que o planejamento feito pelos professores do Projeto Diversidade dentro da escola que atuo é baseado em métodos globalizados. O planejamento é feito a partir de uma temática a ser trabalhada. Essa temática não parte diretamente do interesse dos alunos, mas de uma ou mais “situação problema” que fazem parte do cotidiano destes alunos em sala de aula ou do cotidiano de suas comunidades. Na busca por conhecimento para a resolução do problema/tema os alunos e as alunas precisarão utilizar e aprender uma série de fatos, conceitos, técnicas, atitudes de cooperação, etc. Para tanto, vão necessariamente utilizar dos conteúdos básicos de matemática, ciências, estudos sociais e outros de forma global.
      Como trabalho em todos os níveis da educação Infantil, para cada turma os temas são abordados de maneiras diferentes buscando entender que cada criança tem seu tempo e espaço de aprender. É preciso possibilitar diferentes vivências, através de estímulos à pesquisa, do contato com materiais, das relações com o outro e com o mundo, integrando as interdisciplinas em um tempo e espaço determinados por eles. 
     Avaliar e reavaliar, reinventar sempre, pois o objetivo será sempre desenvolver o maior número de capacidades e habilidades d@s alun@s, entre elas a capacidade de reflexão e entendimento do mundo.









sábado, 15 de abril de 2017

Fotografia e Memória




        Em minha experiência, uma coleção de fotografias sempre será uma aprendizagem. A fotografia conserva informações ora esquecidas ou desconhecidas. Revendo os registros fotográficos da família com os  filhos e sobrinhos percebo que possuo a história pregressa de nossa  família, a trajetória individual  de cada membro dela e o universo social e comunitário em que ela se desenvolveu.  Durante a tarefa de fazer uma coleção dos registros do meu percurso docente, constatei quanto de trabalho diverso tive a oportunidade de proporcionar e vivenciar com os meus alunos. Nelas ficaram registrados recortes de espaços/tempo que de imediato puderam ativar as minhas memórias docentes e exaltar sentimentos adormecidos. 
    Relacionando os registros fotográficos e a documentação familiar (registro civil, certidões, lembranças de batizados e comunhão) ao processo de investigação histórica também foi possível constatar o quanto de hipóteses as crianças desenvolvem ao pesquisar essas fontes. Interpretam e interferem, desenvolvem o senso de pertencimento e também criam expectativas.  

sábado, 18 de março de 2017

Ciências e educação infantil



       O estudo da Ciência na educação infantil
   

      A Ciência surge da curiosidade. 
    Se soubermos provocar a curiosidade em nossas crianças através da observação e da experimentação sensorial e do seu próprio cotidiano, ela vai formular hipóteses e criar seus próprios conceitos.
     A fantasia faz parte desta construção de ideias sobre os fenômenos observados. 
     A prática da observação aliada à curiosidade sobre os novos fenômenos descobertos, comparando com persistência e  planejamento, vão substituindo os pensamentos simples por pensamentos mais complexos.

terça-feira, 14 de março de 2017

História e identidade



“A história inicialmente estudada no país foi a história da Europa Ocidental, apresentada como a verdadeira história da civilização”. Assim nos fala Elza Nadai no artigo¹ “O ensino de história no Brasil: Trajetória e perspectiva”. Nadai fala que nossa história era centrada em datas, biografias e algumas batalhas, contadas de forma mascarada, relegada a um segundo plano .
Fazia-se um cenário imaginário da formação da sociedade brasileira formada a partir de contribuições étnicas dos colonizadores portugueses e mais tarde dos imigrantes europeus e uma pequena contribuição do negro e do índio, sem caracterizar as condições em que se faziam essas relações: enormes diferenças sociais, de trabalho e dos direitos civis.
Com o passar do tempo e as novas e variadas metodologias e formas de pesquisa, as influencias no modo de ensinar e fazer a historiografia no país passou a acrescentar assuntos antes não valorizados na busca da própria identidade.  As pesquisas incorporam temas como as lutas operárias, dos camponeses, das minorias, etc. e a conquista que hoje se traduz nas leis 10.639 e 11.645 onde é dada a devida importância da história e cultura do negro (afro-brasileira e africana) e do reconhecimento dos povos originários na formação da sociedade brasileira.




 ¹Artigo publicado na Revista Brasileira de História disponibilizado no ambiente Moodle.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Escola Inclusiva e Democrática



   
Inclusão escolar é entendida pela maioria dos educadores como aquela que inclui o aluno com algum tipo de deficiência intelectual ou física, quando na verdade é para todos os alunos que de alguma forma são excluídos ou se sentem excluídos por sua cor de pele ou etnia, por sua condição social, indisciplina¹, por sua orientação sexual e para aqueles que tem deficiência intelectual ou física
Pensar a inclusão escolar sem debater as formas de fazê-la de maneira que seja realmente democrática, é não incluir. Enquanto a escola mantém suas velhas formas de ensinar e avaliar, mais alunos excluídos teremos. É preciso modernizar e estruturar as escolas para essas novas crianças, tão diversas em suas especificidades. É preciso priorizar e aprimorar a formação docente. Não é mais possível que se perca alunos pela nossa incapacidade e intolerância na convivência com alunos “desajustados”, que demandam outras formas de interpelação.
                                                                                                                                                                                                                                                           A inclusão escolar envolve, basicamente, uma mudança de atitude face ao Outro: que não é mais um, um indivíduo qualquer, com o qual topamos simplesmente na nossa existência e com o qual convivemos um certo tempo, maior ou menor de nossas vidas. O Outro, é alguém que é essencial para a nossa constituição como pessoa e dessa Alteridade é que subsistimos, e é de lá que emana a Justiça, a garantia da vida compartilhada. (MONTOAN, 2009, p.03)
            No artigo intitulado Caminhos pedagógicos da inclusão, Maria Tereza Eglér Mantoan (2002), defende a ideia que todos os alunos, não só “o diferente”, mas também o indisciplinado ou com dificuldade de aprendizado, sejam compreendidos através da convivência e do diálogo e tenham as mesmas oportunidades no âmbito escolar. Ela argumenta que o aluno não tem que se adequar a escola, mas sim a escola se adequar ao aluno. Para tanto, a autora traça caminhos que passam pela transformação geral das escolas focalizando suas experiências sob três ângulos: os desafios que provoca esse novo paradigma educacional; as ações para efetivar as transformações e as perspectivas que se abrem a partir dessas.     
O princípio democrático da educação para todos só se evidencia nos sistemas educacionais que se especializam em todos os alunos, não apenas em alguns deles, os alunos com deficiência. A inclusão, como consequência de um ensino de qualidade para todos os alunos provoca e exige da escola brasileira novos posicionamentos e é um motivo a mais para que o ensino se modernize e para que os professores aperfeiçoem as suas práticas. É uma inovação que implica num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais da maioria de nossas escolas de nível básico.(MONTOAN, 2002)
Falando sobre os desafios, Maria Tereza Mantoan afirma que é preciso priorizar a qualidade de ensino na educação básica, o que incluí sem falta a formação e o comprometimento dos professores e das escolas na renovação das práticas pedagógicas, assumindo que o fracasso escolar e as dificuldades dos alunos se devem muito ao sistema educacional.
 Entre as ações citadas pela autora para a transformação do ensino nas escolas, está o diagnóstico da população escolar, para que de forma autônoma, cada escola possa elaborar o seu Projeto Político Pedagógico em direção a um currículo inclusivo e democrático. Outra mudança importante é a descentralização que se deve aos papéis dos gestores (direção coordenação pedagógica) promovendo uma maior autonomia e comprometimento de todos os setores.
Montoan aponta como perspectivas desta nova escola inclusiva e democrática, a formação de cidadãos mais livre e sem preconceitos que aprenderão o valor e o respeito na convivência com a diversidade.
Neste contexto, fica claro o quanto ainda precisamos caminhar para chegar a este patamar da educação. O quanto precisamos transformar as nossas próprias concepções sobre educação inclusiva, pois em nossas vivencias na pratica docente nos deparamos não somente com barreiras físicas e inapropriadas às condições de incluir o aluno portador de deficiência, como também em barreiras burocráticas, regramentos e condições de desigualdades de oportunidades que são oferecidas aos nossos alunos pelas escolas da maneira como ainda são organizadas. A falta de estímulos e suporte para que o professor consiga se integrar a esta transformação, contribui para a ideia de que uma verdadeira escola para todos esteja muito distante. Mas lutemos para que não fique só no papel.
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¹Segundo La Taille (2001 apud AQUINO, 2003, p.13) (...) a pessoa disciplinada segue determinadas regras de conduta (...) a pessoa indisciplinada transgride as leis que deveria seguir. (...) A indisciplina pode, às vezes, vir em decorrência de bons motivos éticos. Se as regras não fazem sentido (e há muitas nas escolas) e se derivam de valores suspeitos (como a subserviência cega à autoridade), a indisciplina pode se justificar eticamente. (...) indisciplinas que ferem as leis morais (...). Por exemplo, o insulto, a agressão física, o tratar o professor como se fosse um objeto, não ouvi-lo, fingindo que não está presente, que não existe

REFERÊNCIAS:
AQUINO, Júlio Gropa. Indisciplina: O contraponto das escolas democráticas. São Paulo, Moderna, 2003. – Coleção cotidiano escolar.
MANTOAN, M. T .E. Caminhos pedagógicos da inclusão. Universidade de Campinas/UNICAMP. Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Reabilitação de Pessoas com Deficiência - LEPED/ FE/ Unicamp. 28 nov 2002. Disponível em: <http://www.educacaoonline.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=83:caminhos-pedagogicos-da-inclusao&catid=6:educacao-inclusiva&Itemid=17>. Acesso:08 out 2016.